April 27th
April 20th "Resolvi ouvir aos conselhos mais clichês. Sabe? Aqueles que você já está cansado de ouvir, mas que nunca tentou colocá-los em prática. Pela primeira vez tornei a desligar o rádio e procurei ler um livro. Resolvi pular as sete ondas, sendo reveillon ou não, afinal nunca é tarde para acreditar na sorte. Troquei o café rotineiro por uma xícara de chá de erva doce. Procurei ao meu homizio sem sair da confusão. Dos meus olhos plissados, fiz notas musicais; da minha boca amarga, uma nuvem. E deixei-me levar. Dei valor ao frágil e usei do forte. Revivi a minha infância como quem refaz um sonho. Resolvi, pela primeira vez, contar estrelas e me perdi quando já era dia. Atravessei a rua de pés trançados. Desenhei de olhos fechados. Contei dez dedos em uma mão e custei-me a descrer disso. Trouxe o insolente e o refiz em rosas. Pela primeira vez eu resolvi viver."
Matheus Silva
April 17th
April 17th
April 17th "E mesmo nas madrugadas mais frias, eu ainda sinto o teu calor. E nos silêncios mais profundos, ouço tua voz. Mesmo no escuro, enxergo teu olhar. Sinto teu toque, mesmo anestesiado. O teu cheiro, ainda que gripado. Sinto tua alma, tua calma. Independente de estar cá ou lá; de ter ou querer. Sinto você."
Matheus Silva
April 8th "As coisas parecem tão monótonas. Os pingos de chuva na janela, o sapato velho jogado ao centro da sala, o sofá revirado e as almofadas ao chão. Justamente num domingo, onde, na maioria das vezes, serve como alívio, hoje me incomoda. A TV ligada repassa qualquer informação aleatória que não me interessa muito. Da janela, as pessoas correm tentando não se molhar e as crianças riem ao ver seus pés sujos de lama. Do corredor um cheiro de almoço e aquelas discussões familiares típicas de domingo. O dia vem sendo ainda mais preocupante por eu, sempre tão alerta de tudo, estar em logoff. Há alguns dias tudo vem sendo diferente para mim. Falta-me vontade de ir e vir, sorrir e despir-me de novidades. Há alguns dias eu me reservo em um mundo onde o meu eu apenas encontra a si mesmo. Venho sendo monótono como esse domingo chuvoso, sem expectativa de mudança. Já chorei o que choraria em um ano e já me arrependi do que nem cheguei a fazer. Esses sapatos velhos, esses pingos de chuva, aromas e barulhos me dão uma presença material que me causa ainda mais remorsos. Pareço ser o único em constante conflito contra si mesmo. Porém eu sei que, como os domingos - chuvosos ou não - ainda há uma semana inteira. E que mesmo este sendo o meu domingo, ele nunca será eterno."
Matheus Silva
April 3rd
April 3rd
April 2nd "Já passavam das oito. Seu café, que virou rotina desde quando ele a perdeu, estava frio. Seus pés - já cansados na soleira da janela - delineavam a lua e seus olhos refletiam o brilho dela. Suas mãos serviam de travesseiro para uma mente longe. Era difícil compreender o que passava em sua cabeça agora. Era o primeiro domingo de abril e ele não costumava permanecer tanto tempo assim. Era inquieto, Hiperativo - com “h” maiúsculo -. Sob seu peito alguns rascunhos, nada convencionais. Dentre eles, um me chamou a atenção: “É difícil ter que encarar tudo sozinho novamente. Ter que segurar a lua em meus pés, e não ter o seu para completar. Eu nunca pensei que fosse dizer isso, mas as coisas parecem centenas de vezes mais difíceis sem você. Faz-me falta das suas observações em dizer que éramos como as laranjas. Do jeito com que você segurava a minha mão e me fazia acreditar que por ter onde me apoiar eu jamais voltaria a cair. Agora são 8:42 e eu devo estar aqui há umas três horas. Já escrevi e reescrevi a nossa história inteira centenas de vezes, mas parava perto do fim. Uma vez você disse que sob as linhas de trem anda-se apenas à dois, mas nunca deu a entender que um dia o trem poderia passar. E ele passou. Passou para mostrar que as coisas tendem a cair mesmo muito seguras; passou para levar você de mim. Eu não sei exatamente a que distância você está agora, mas eu permaneço caminhando sob a linha de trem. E nesse trilho eu ainda encontro você nos pontos laranjas da areia. Na lua em formato de laranja. Nessa carta que um dia voltará a ser laranja."
Matheus Silva
April 2nd